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Os grandes momentos de um filme de Johnnie To – pelo menos nos cinco ou seis filmes que eu vi – costumam ser as batalhas entre duas – ou mais – gangues rivais. Para que essa batalha seja primorosa – como geralmente é – somos conduzidos pela destreza de suas mãos e agudeza de seu olhar, a ponto de sair do filme – como aconteceu comigo em Exilados – acreditando que todos os gestos que damos têm uma razão de ser e, antes de tudo, nos revele toda a sua beleza; como num espetáculo de dança – e por que chamamos toda apresentação de dança de espetáculo?

A intensidade e o zelo dos tiroteios está mais para um duelo ou um combate de espadas; a relação entre os combatentes é tão íntima que dá a impressão deles terem sido atingidos por uma lâmina afiada, no lugar de uma bala precisa que nunca ninguém vê. A poesia – ou seja lá como chamam isso – da arma de fogo não é nenhuma novidade no cinema, dirão os mais calvos e os mais grisalhos, mas essa aproximação com um combate de espadas – arma muito mais honrosa e que exige mais talento – é uma das coisas que mais impressiona, como num dos grandes momentos do filme – o melhor, tavez – por entre os lençóis hospitalares – ou algo assim – de uma clínica médica clandestina.

Exilados é um filme de ação; ação em gestos e movimentos precisos. Precisos, mas não mecanizados; enérgicos como um espetáculo de dança – um espetáculo de dança enérgico, como todos deveriam ser.

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