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Filmes vistos no cinema durante o ano e que estrearam ou não no circuito.


20. Invictus – Clint Eastwood

19. Faça-me Feliz – Emmanuel Mouret


18. Tetro – Francis Ford Coppola

17. A Rede Social – David Fincher

16. White Material – Claire Denis

15. Tudo Pode Dar Certo – Woody Allen

14. Cópia Fiel – Abbas Kiarostami

13. O Escritor Fantasma – Roman Polanski

12. Scott Pilgrim Contra o Mundo – Edgar Wright

11. Vício Frenético – Werner Herzog

10. Guerra ao Terror -Kathryn Bigelow

09. Memórias de Xangai – Jia Zhang-ke

08. O Mágico – Sylvain Chomet

07. As Quatro Voltas – Michelangelo Frammartino

06. Toy Story 3 – Pixar

05. O Estranho Caso de Angélica – Manoel de Oliveira

04. Hahaha – Hong Sang-soo

03. Ponyo – Hayao Miyazaki

02. Mistérios de Lisboa – Raoul Ruiz

01. Tio Boonme, Que Pode Recordar Suas Vidas Passadas – Apichatpong Weerasethakul

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A raposa, por natureza, tem o nariz comprido e, por vezes, empinado. O Senhor Raposo é um esnobe com um ar perfumado de superioridade. E basta se mostrar desta maneira para ganhar o respeito de todos os outros animais, e de si mesmo. É assim que se chega longe, que se consegue roubar a comida de todas as fazendas vizinhas. Quem não é cheio de si não chega a lugar nenhum. A raposa pode não ser um lobo, mas reconhece o lobo por seu garbo; por ser distinto, por ser belo. Mas a raposa nunca trocou uma idéia com o lobo para saber o que ele pensa. Não importa, tudo o que o lobo precisa é ter um focinho mais empinado. E, ah, como hierarquizar personagens é divertido.

Alguma coisa ruim – e muito mal-cheirosa – está acontecendo no mundo. O trânsito não anda há pelo menos oito horas. Todos estão indo para o mesmo lugar, ao mesmo tempo; e uma manifestação de pessoas que se chicoteiam, vestida para trabalhar, atravessa as ruas. Já percebeu que os homens se vestem para ir ao trabalho como se estivessem indo ao próprio funeral? O homem morto usa a mesma roupa de um advogado, ou um empresário, ou um banqueiro; ou vai ver estamos todos mortos mesmo e vestidos como no dia em que nos enterraram. Exageraram no pó-de-arroz, no entanto. A maquiagem nos deixa com cara de zumbis. A impressão que temos quando pegamos um trem, por exemplo, é essa; são todos mortos-vivos – e, às vezes, esses mortos-vivos até falam com a gente, pedem uma informação, uma moeda, qualquer trocado serve. Quando eu era pequeno, achava que o som do metrô em alta velocidade era canto gregoriano de monges. Cada ponto de iluminação do túnel, algo divino. O metrô era divino, e também muito estranho. Mas o mundo é muito estranho, e não tem nada de estranho nisso.

É a maneira como ele geme quando faz qualquer coisa trivial; como se levantar da cama, ou lavar os pratos, ou jogar Nintendo com o vizinho de treze anos. Seus gemidos, aos poucos, nos sensibiliza e, de súbito, estamos ao seu lado, torcendo para que ele se dê bem. É saber como se geme para conquistar os outros, é saber gemer na hora certa.

A bruxa jogou uma maldição numa funcionária de um banco porque ela não quis prolongar o prazo de pagamento da sua casa. Agora um demônio a persegue para atormentá-la; e nos entreter. Nada é mais divertido do que uma bancária sendo perseguida por um demônio em forma de cabra; os burocratas já estão jogados nas posições mais inferiores da sociedade mesmo, e para chegar ao inferno é só um pulinho.

Os grandes momentos de um filme de Johnnie To – pelo menos nos cinco ou seis filmes que eu vi – costumam ser as batalhas entre duas – ou mais – gangues rivais. Para que essa batalha seja primorosa – como geralmente é – somos conduzidos pela destreza de suas mãos e agudeza de seu olhar, a ponto de sair do filme – como aconteceu comigo em Exilados – acreditando que todos os gestos que damos têm uma razão de ser e, antes de tudo, nos revele toda a sua beleza; como num espetáculo de dança – e por que chamamos toda apresentação de dança de espetáculo?

A intensidade e o zelo dos tiroteios está mais para um duelo ou um combate de espadas; a relação entre os combatentes é tão íntima que dá a impressão deles terem sido atingidos por uma lâmina afiada, no lugar de uma bala precisa que nunca ninguém vê. A poesia – ou seja lá como chamam isso – da arma de fogo não é nenhuma novidade no cinema, dirão os mais calvos e os mais grisalhos, mas essa aproximação com um combate de espadas – arma muito mais honrosa e que exige mais talento – é uma das coisas que mais impressiona, como num dos grandes momentos do filme – o melhor, tavez – por entre os lençóis hospitalares – ou algo assim – de uma clínica médica clandestina.

Exilados é um filme de ação; ação em gestos e movimentos precisos. Precisos, mas não mecanizados; enérgicos como um espetáculo de dança – um espetáculo de dança enérgico, como todos deveriam ser.

Não dá pra acreditar em nada que acontece em É proibido fumar. Nem em ninguém. A primeira aparição – ou participação – do filme é a Pitty, querendo alugar um apartamento; e não dá pra acreditar que seja uma personagem, senão a própria cantora. Depois conhecemos a personagem de GePires, uma professora de violão pouco ambiciosa; e pouco convincente como professora de violão pouco ambiciosa. Mas não tem problema, porque ser convincente, às vezes, não quer dizer nada. O mundo – que está mais para mundinho – que a Anna Muylaert cria é fake, e só usa elementos reais – trânsito na Rebouças, o programa TV Fama – porque, bem, por um acaso, se passa aqui – além de não querer perder a piada, como bem observado pelo rapaz do fundão. O mais importante é sentar e ver o filme calado, sem fazer perguntas. E não é assim que se assiste a qualquer filme? Deixar-se ser levado pelas mãozinhas do diretor? – mãozinhas delicadas, no caso. Quem gosta de fazer muitas perguntas certamente tem problemas em assistir a este simpático filme. Isso, simpático.

Um filme de pelúcia, por essência, é fofo e faz barulho quando você o aperta. Onde vivem os monstros é assim, e tem um acompanhamento musical – também chamam isso de trilha sonora – ainda pior, ou seja, mais fofo e mais barulhento. Nunca reclamei de trilha. Agradeço a Karen O. por esta oportunidade.
E os monstros – pensava eu depois da metade do filme-, estavam tão agradáveis, tão amigáveis – eram os monstros que salvariam tudo – então por que a tragédia? É, eles são trágicos e cheios de mimimi, essa é a tragédia. Pena, porque eles sabem como se divertir – e como nos divertir.

Inclui-se aí os filmes vistos no cinema em 2009, mas que podem ter sido feitos até dois anos antes. É com alguma dor no coração – e uma pontada na virilha – que filmes como: A Troca (Clint Eastwood); Independência (Raya Martin);  Avatar (James Cameron); O Fantástico Senhor Raposo (Wes Anderson); Shirin (Abbas Kiarostami); Merde (Leos Carax) tenham de ficar para fora, no frio.

20. A Bela Junie – Christophe Honoré


Mas garotos complexados são melhores dançando e com gosto de limão.

19. Inimigos Públicos –  Michael Mann


Os vilões têm um canto garantido dentro do peito.

18. Mother – Joon-ho Bong


A vontade de querer agradar o tempo todo.

17. Abraços Partidos – Pedro Almodóvar


Senta que eu vou lhe contar uma história.

16. Ricky – François Ozon


Drama social sem pé no chão.

15. Entre os Muros da Escola – Laurent Cantet


Eles não são personagens, são seus colegas de sala-de-aula.

14. Morrer como um Homem – João Pedro Rodrigues


Na salada você acrescenta perucas, penas coloridas e muito glitter.

Mas não vai pensar que o resultado disso é só alegria.

13. A Família Wolberg – Axelle Ropert


Melhor não contar na mesa aquilo que não quero ouvir. E não fale de boca cheia.

12. Desejo e Perigo –  Ang Lee


Quem mete medo, mete bem.

11. Nanayo – Naomi Kawase

Je ne sais pas japonês

10. Polícia, Adjetivo – Corneliu Porumboiu


No princípio era o adjetivo; coxo, incompleto.

09. Seguindo em Frente –  Hirokazu Kore-Eda


As Batchans são ácidas.

08. Singularidades de uma Rapariga Loura –  Manoel de Oliveira


Adaptação de um conto em forma de longa curto, mais curto que o título; e divertido como ele.

07. Gran Torino –  Clint Eastwood


A xenofobia pode ser tratada com os seus vizinhos.

06. Ervas Daninhas – Alain Resnais


Brinquedo colorido.

05. 35 doses de rum – Claire Denis
É na 35ª dose que se começa a ficar sóbrio.

04. Vincere – Marco Bellocchio


A história de uma mulher pode ser contada com muita virilidade, também.

03. Amantes – James Gray


O que não mata enfraquece o coração.

02. Bastardos Inglórios – Quentin Tarantino


A película é altamente inflamável.

01. A Religiosa Portuguesa – Eugene Green


Suba esta ladeira e se encontre lá em cima.

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